III IRWC, BRASÍLIA 2006

Conferência estimula a sociedade a repensar o mundo

Evento contou com a participação de, aproximadamente, 60 palestrantes, que discutiram e apresentaram formas de erradicar as diversas formas de pobreza que existem no mundo

Brasília, 13 de outubro de 2006 - A III Conferência Mundial para as Relações Internacionais, realizada de 9 a 12 de outubro, em Brasília, reuniu representantes do governo de diversos países, da iniciativa privada e de Organizações Não Governamentais (ONGs), que debateram e apresentaram propostas para se alcançar os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), traçados pelos 191 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000.

Foram realizados painéis de discussão sobre cada um dos objetivos: “Erradicar a Fome e a Miséria”; “Reduzir a Mortalidade Infantil”; “Educação de Qualidade para Todos”; Igualdade entre os Sexos e Valorização da Mulher”; “Melhoria da Saúde das Gestantes”; “Combate à AIDS, à Malária e a Outras Doenças”; Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente”; e “Desenvolvimento Mundial”.

O evento, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, permitiu um debate enriquecedor acerca das medidas que vêm sendo adotadas por vários países para solucionar problemas que freiam o desenvolvimento social e econômico do mundo.

Para Carolina, a Pacta Internacional conseguiu cumprir o que propôs para o evento. “Colocamos em diálogo os diferentes setores da sociedade – governo, empresas e ONGs. O evento atendeu às nossas expectativas e nos deu idéia de como trabalhar o tema num futuro próximo”, considera.

Cerca de 60 autoridades participaram dos painéis. Desses, nove eram estrangeiros. “As ações empreendidas pelos palestrantes serviram de exemplo para inspirar os participantes a encontrar maneiras de colaborar com a erradicação de diversas formas de pobreza que existem no mundo”, afirma Carolina.

 

Destaques

Entre os destaques do primeiro dia de debates, 10 de outubro, está o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que participou do painel “Acabar com a fome e a miséria”. Carolina considerou a discussão sobre o terceiro ODM – “Igualdade entre os sexos e valorização da Mulher – entre os mais importantes do evento. Entre as palestrantes estava Zhara Shojaie, ex-conselheira do presidente do Irã para assuntos relacionados à mulher; Elvire Elgène, presidente da Ass Femmes Soleil d´Haiti e Janete Ribeiro Vaz, do Laboratório Sabin de Análises Clínicas e Instituto Sabin.

Ainda no mesmo dia, Almir de Castro Neves Filho, do Instituto de Prevenção à Desnutrição e à Excepcionalidade (Iprede); e Clara Brandão, criadora da Multimistura; participaram do painel que abordou o ODM 4, “Reduzir a Mortalidade Infantil”.

Neves expôs alguns dados alarmantes sobre o assunto. Seis países representam 50% das mortes infantis em cinco anos: Índia, Nigéria, China, Paquistão, República Democrática do Congo e Etiópia. Dos 192 países no mundo, 42 correspondem a 90% de todas as mortes. Segundo ele, as principais causas da mortalidade infantil são problemas neonatais, pneumonia e diarréia.

O último painel do dia 10 foi sobre “Educação Básica e de Qualidade para Todos”, que contou com a participação de Kee Woo Lee, da Embaixada da Coréia do Sul no Brasil; Andréia Rabetim, da Fundação Vale do Rio Doce e Timothy Denis Ireland, representante do Ministério da Educação, entre outros.

“Melhorar a Saúde das Gestantes”; Combater a AIDS, a Malária e Outras Doenças”; “Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente”; e “Todo Mundo Trabalhando pelo Desenvolvimento” foram os painéis do segundo dia de discussão.

Um dos temas mais concorridos do dia foi o tema que abordou a saúde das gestantes. No Brasil, a taxa oficial de mortalidade materna é de 75 mortes de mulheres para cada 100 mil ascidos vivos. Entretanto, esse número não corresponde à realidade. Infelizmente, nem todos os óbitos são registrados como tendo causas relacionadas à gravidez ou ao parto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera aceitável o índice de 20 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos. Entre 20 e 49 mortes, o índice é considerado médio. Entre 50 e 149 mortes é alto e, acima de 150, muito alto.

Outra discussão importante foi a do último painel do dia, onde várias empresas de peso como a Petrobrás e o Grupo Pão de Açúcar trocaram experiências sobre os trabalhos executados por eles para o desenvolvimento mundial.

Carolina Valente, da Pacta Internacional, destacou ainda as parcerias e os intercâmbios iniciados com vários países que participaram do evento, como o Marrocos por exemplo. Deste país vieram três participantes que muito contribuíram para as nossas discussões”, afirmou Carolina, citando a presença de Nadira Guernai, representante do Ministério do Interior do Reino do Marrocos; Farida Jaidi, embaixadora do Reino do Marrocos; e Mohamed Douidich, do Observatório Marroquino para População.

Eventos paralelos – Paralelamente à Conferência ocorreram a I Mostra Internacional de Curtas – “Os diferentes olhares do mundo”; o prêmio “Nós fazemos Nossa Parte”; a apresentação de trabalhos acadêmicos, a exposição fotográfica “Conquistando os Sonhos: As jovens faces dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, do Fundo de População das Nações Unidas; e a feira permanente de artesanato, com trabalhos de artistas locais.

I Mostra Internacional de Curtas – Cerca de 2,5 mil pessoas lotaram, durante os três dias do evento, o Cine Brasília para assistir os 24 curtas-metragens exibidos pela Mostra “Os Diferentes Olhares do Mundo”. Representantes de embaixadas, como os embaixadores da Sérvia e Malásia também prestigiaram o evento.

“A Mostra teve todos os curtas bastante aplaudidos e foi uma prova de que, apesar de Brasília ser uma cidade nova, o cinema já faz parte da nossa cultura”, afirmou Ana Arruda, organizadora da Mostra. Segundo a organização, a intenção é que o evento faça parte do calendário da cidade e que passe a ser itinerante, passando por outros Estados e Países.

Prêmio “Nós Fazemos a Nossa Parte” – A entrega dos troféus para os ganhadores do prêmio foi feita no último dia, no encerramento da Conferência. A Fundação Getúlio Vargas de Brasília e o Mapa do Terceiro Setor (FGV-SP) julgaram as melhores iniciativas de empresas, governos e ONGs na execução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

O vencedor da categoria governo foi a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) - PB; da categoria empresa, o premiado foi a Multdia – RN; e os vencedores da categoria ONGs foram: o Lar Fabiano de Cristo – RJ e a Fundação Belgo-Mineira – MG.